Delírios

7 Setembro, 2016

“Delírios” – Publicado pela Chiado Editora – Portugal, é uma obra escrita em português.

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Entender na essência o conflito de qualquer guerra obriga-nos a viajar pelo tempo, a fim de nos adaptarmos a um mundo em franca e contínua transformação, ligado em toda a extensão aos fenómenos psicológicos e sociológicos, onde o profano está intimamente ligado às raízes dos deuses e sentimentos nacionalistas. Em regra, a história é lavrada e patrocinada por fanáticos e não é mais do que um mito ou uma porta de saída para o verdadeiro sujeito que reconhece a liberdade na sua íntegra e promove o espírito universal da concórdia e convivência.

Com atrevimento, pergunto se a histeria nacionalista tão fértil nas nossas histórias é mais imponente que o sentimento universal. Conheço a resposta e posso afirmar que representa em toda a essência a política fatal, produtora do sofrimento dos povos. A paz não representa mais que um símbolo. Na sua simplicidade, não passa mais de um vocábulo, porque a verdadeira paz é aquela que produz efeitos sem ocultar interesses políticos, geográficos, económicos ou religiosos, onde predomine um modelo de governo universal, democrático e pluralista em términos formativos, separado na íntegra do poder religioso que apenas aumenta a histeria que leva ao fanatismo e, por sequência, a guerra e seus delírios, cujas cicatrizes se imprimem no ódio que irradia sobre gerações. Patrocinemos a fórmula democrática e pluralista do respeito transversal e intrínseco pelas maiorias e minorias em todas as sociedades.
Os tratados e reconhecimentos não são mais do que o temor de que os grandes venham a engolir os mais pequenos, como sempre aconteceu e em especial na Europa e Ásia, cujo objetivo e interesse é manter uma identidade que representa o nacionalismo ideológico e religioso.

Esta fusão, apesar dos benefícios comuns, não representa o respeito pelas minorias, mas um bloco económico e bélico com o propósito de fazer frente a outros blocos ou possíveis fusões geográficas, económicas e religiosas.

Desde sempre, a humanidade esteve envolvida em disputas que apenas patrocinaram a dor e a destruição. A palavra “civilização” parece ter sido esquecida ou simplesmente foi e é ignorada, tendo-se transformado num quadro abstrato de tons de sangue com inúmeras interpretações, o que leva o homem a viver cheio de cobiça e com alma conquistadora, alimentado pela fé e a histeria coletiva que ultrapassa o verdadeiro sentido do equilíbrio e da paz.

O ser humano está estreitamente ligado ao passado, é o ácido desoxirribonucleico das heranças, capaz de produzir os mais horrorosos crimes em nome da razão, da pátria e dos deuses. Quem nunca ouviu o pai, o avô, o tio ou o vizinho contar façanhas? De conto em conto, aumentam as proezas da utopia. Quem se habitua a mentir nunca saberá dizer toda a verdade!

Assemelhamo-nos a qualquer deus e a qualquer demónio, veneramos e dançamos para fantasmas internos que nos envolvem do interesse pessoal, ou nos regam nos interesses dos promotores. É a regra 69 da origem do instinto e do apetite.

Julgo tratar-se da maldição da mama do caranguejo que contém entre 69 a 96 pixels de vários tons e tamanhos. É também uma velha guerra que se trava e permanecerá, porque nos despistamos nas estatísticas desta maldição 69, 6+9, 9+6, equivalente a 27, o que perfaz uma tabela entre 15 a 27 pixéis ativos que correspondem a pixéis únicos – hereditários, hormonais e lesivos. Esta também é outra guerra de interesses. Apartemo-nos destas supostas profilaxias e terapias e vamos analisar outras guerras e outros interesses.

A degradação dos princípios éticos e morais, independentemente de qualquer formação, não se deve à falta de espiritualidade, antes ao excesso religioso diluído na ideologia política dos interesses pessoais e de grupos. Como sempre, todos estamos sujeitos à fraude e ao massacre, porque existe a predominância que impera na arte da sujeição e domínio de consciências. Assim, a sujeição das massas assenta no perigo da lavagem de consciências, desde o tempo dos evangelizadores pedestres. Esta intencionalidade e culpabilidade recai, acima de tudo, sobre o sistema político e religioso, intimamente ligados, fazendo crescer o ódio, a diferença, a imoralidade e a degradação dos principais recursos e valores humanos. A democracia tem os seus valores quando está dissociada das doutrinas religiosas.

Analisando os problemas sociológicos que a sociedade moderna enfrenta, julgo ser de suma importância, e independentemente do sistema político, que a formação do indivíduo deva conter uma intencionalidade absoluta de liberdade de escolha, ou seja, os valores humanos e culturais devem unificar-se e adaptar-se à conduta no sentido de uma formação digna e pluralista que vise ultrapassar dogmas, mitos herdados ou imprimidos.

A defesa dos princípios e a consciencialização de massas devem estar associadas a mais que um modelo, cuja formação religiosa ao ser aplicada em todo o contexto ilustre e faça menção de todas as filosofias e correntes religiosas que levem cada indivíduo a encontrar-se a si mesmo e identificar a que melhor se enquadra com a sua consciência e orientação, independentemente dos princípios das instruções da racionalidade herdade ou imposta. Quem nos poderá fazer crer ou aceitar que este ou aquele deus é o único ou o verdadeiro? Quem me poderá garantir de que não existe Deus? As religiões necessitam de atualizar e inovar os seus conceitos, ilustrando contrastes e moderação, com o intuito de abolir a dureza comportamental, a fim de se evitar a perseguição, o fanatismo ou posições radicais.

Deus ou deuses serão sempre os mesmos, apesar das regras impostas e aceites por cada religião, seguidores ou patrocinadores.

Os cristãos foram perseguidos e os cristãos perseguiram. Os muçulmanos perseguiram e foram perseguidos, dos céticos aos ateus e pensadores. Até o pobre do Galileu foi apelidado de herético por afirmar que a Terra girava em torno do Sol e Nostradamus escrevia em código para viver em paz e escapar ao que já sabemos, ao comité científico e aos velhos e caducos sábios que julgam saber tudo. Tanto que sabem e com tanto avanço científico e tecnológico que até expulsaram Plutão da Via Láctea…
Muitas fragmentações e vazios foram aproveitados por sábios que tiraram partido da situação para impor as suas vontades, domínios e demarcar os seus próprios interesses e seus herdeiros ou seguidores, prevalecendo a lei da força e da salvação.

Tive a oportunidade de assistir à racionalidade dos ucranianos. Em regra e excluindo as razões ou motivações, estes emigrantes comem sempre da mesma panela sopa e pão. Curioso saber que a sopa contém quantidades bocados de carne e cabe a cada qual e em conformidade à quantidade: 3 ou 4 bocados dessa carne, conforme determinado. Aqui impera o senso-comum, o respeito pelo próximo e o grande amor pela grande pátria soviética.

Enquanto o homem não for verdadeiramente instruído e usufruir do livre-arbítrio, este e em especial as mulheres estarão sempre relegados a um plano de marginalização, gerando confrontos de massas que incendeiam, mais tarde ou mais cedo, novos conflitos que podem dar azo a novas guerras.

Ao viajarmos no tempo, chegamos a conclusões interessantes: vemos que qualquer guerra é a continuação da anterior e assim sucessivamente. Retrocedemos, até chegarmos às raízes da identidade e observarmos que a paz não é mais do que um término carente de significado, objetividade, razão e verdade.

A cobiça de Caim matou Abel. Ninguém viu, mas todos ouviram que Abel havia sido vítima de Caim. Neste sentido, podemos afirmar que o problema da guerra é o reflexo dos interesses que a maldita inveja gera entre famílias e povos.

O mundo esteve sempre envolvido em muitos conflitos, guerras de raças, guerras religiosas, guerras civis, guerras nacionais e guerras bairristas e clubísticas. Todos se acusam desde os inocentes aos culpados, o horror estende-se e o delírio das conquistas merecem festa e comemoração. Vem a paz e erguem-se as lápides dos vencedores e dos vencidos. A história volta a ser escrita com sangue e lágrimas, simplesmente o preço da vitória ou da resistência.

De modo igual que um animal se enferma perdendo o seu raciocínio e alterando o seu comportamento, também os povos se enfermam e aprendem facilmente a odiarem-se e a matarem-se. A alma escura da humanidade e a sua memória desvanece-se com facilidade e com o tempo as realidades são substituídas por símbolos, mitos e cerimónias alegóricas aos acontecimentos, caindo o homem, chamado “civilizado”, nos mesmos erros e barbaridades do passado.

A espécie humana parece ilustrar uma marca biológica carregada com genes de cobiça e egoísmo, causando febre da tentação e a vaidade pelo poder e o dinheiro. Este veneno é aproveitado por líderes e esta mania herda-se e contagia o estado psicológico das populações, alterando as suas condições, embriagados de recordações e falsos triunfalismos. A falta de um espírito universal converte as sociedades menos perfeitas e mais dolorosas. O princípio universal deve ser instruído e implementado, independentemente da raça ou religião, respeitando a crença e a ideologia de cada qual, suprimindo imposições ou obrigações, dando azo ao sentimento universal e dignificando a moral, o respeito e a igualdade.

O homem racional é aquele que se adapta às novas realidades. É um homem comparativo e reflexivo, aquele que procura o equilíbrio em termos morais e materiais. Em suma, aquele que respeita para ser respeitado aquele que reconhece que ninguém é dono do Sol. O homem racional é aquele combate e não aceita os conceitos nacionalistas ou religiosos. É aquele que impõe valores humanos caracterizados pelo espírito universal do livre-arbítrio. A imparcialidade é uma constante e regra da democracia.

Se um vírus é prejudicial para um organismo, uma pandemia de grandeza e poder tem efeitos mais devastadores. Os princípios e os conceitos da universalidade devem estar separados dos sentimentos ou ressentimentos nacionalistas e religiosos, prevalecendo sempre o respeito e a reciprocidade entre maiorias e minorias.

Todas as religiões apoiam-se nas causas nacionalistas, embora esta ideia se esteja a diluir gradualmente, em especial nas sociedades mais evoluídas. Quem tem culpa de ter nascido no lugar errado? Alguém pode escolher os seus progenitores? Os historiadores nacionalistas são mentirosos e a história dos povos está associada à mentira e a visões expansionistas que demarcam diretrizes de interesses não comuns.
A escrita imparcial e consciente dos acontecimentos deve prevalecer, evitando-se contos heroicos de fadas. Deve-se ter a coragem de se saber aceitar as realidades e escrever somente as verdades nuas e cruas. Assim sendo, o historiador deverá possuir um espírito universalista, associado aos bons princípios deontológicos da vida profissional e humana, banindo as mentiras e as tradicionais façanhas do nacionalismo étnico, porque acima de tudo deverá prevalecer a concórdia humana à parte de qualquer interesse.

O verdadeiro estado de direito permite aos cidadãos exigirem que o poder político viva dissociado do religioso, porque nenhuma causa nacionalista ou religiosa deve ser usada como instrumento de política nem de guerra e, como tal, a guerra não poderá ser um círculo vicioso, porque os maiores recursos de que dispõe o homem são o diálogo, a moderação e a promoção do sentimento universal.
Apesar dos conflitos de diversas ideologias estarem dispersos, os povos estão cansados de sofrimento e de guerras, por isso e graças ao desenvolvimento científico e tecnológico, estamos cada vez mais perto uns dos outros.

O homem universal não está disposto a guerras, nem a sofrer nem fazer sofrer. Portanto, não admite a discriminação e não quer viver com ressentimentos ou princípios herdados. Não suporta a incompreensão e a desigualdade de direitos e garantias, não aceita a violência, nem o capricho nem a imoralidade e muito menos a guerra de sexos e diferenças.

O mentor nacionalista não é mais que o vulgo, que se julga com direitos exclusivos e que converte a paz em triunfos de guerra e o amor em ódios entre pessoas e povos. Há necessidade de refletir e há a necessidade de aceitar de que não se necessita de grande coragem para uma mudança. Basta apenas refletir e promover a verdade encarando as realidades da nossa envolvência.

Os historiadores, e em especial os escritores dos meios de comunicação, também são os culpados de muitas crises coletivas que patrocinam o sofrimento e fomentam a guerra quando escrevem facetas carregadas e condimentadas de falsos heroísmos. Quando nos acostumamos a mentir, já não sabemos dizer toda a verdade.

Devemos entender que o sofrimento, o ódio e os delírios deixados por qualquer guerra cicatrizada não podem ser pagos com subsídios ou indeminizações por parte dos homens ou deuses. O mundo sempre esteve exposto a um grave perigo “político, moral e religioso” que estabelece políticas e direções que afetam o interesse económico e social de algumas nações e reaviva a memória de conceitos vividos. Em cada porta existe um anfíbio 4×4 estacionado. Basta soar a sirene e lá partem todos para uma frente de batalha. O mais grave é que a maioria desconhece as razões forjadas da causa. É imperioso escrever, ensinar e educar com sentido e princípio universal, afastando os tradicionais hábitos de mentiras que levam à guerra de interesses.

A história de cada nação ou de cada homem está carregada de mitos, medos, triunfalismos e de falsidades. Sabemos que em qualquer política que vise interferir direta ou indiretamente na guerra, quase todos os valores são absorvidos para a custear, o que permite que se desviem os recursos adequados à educação do espírito universal, cujo princípio é o desenvolvimento das nações e as suas populações que sofrem e pagam com sangue as historietas que se escrevem.

A visão fatalista herdada pelos conceitos e ideologias nacionalistas produzem delírios e cicatrizes, muitas vezes incuráveis e que permanecem por décadas e gerações, como é o caso de Charles Smith. Charles Smith havia-se oferecido como voluntário para as Brigadas, segundo este e a versão política, a causa nacional estava em jogo. Apesar das preces da sua mãe, Charles Smith tomou a decisão como fizera o seu pai depois de o país ter sido invadido por tropas estrangeiras. Charles partiu para a frente de batalha e vangloriou-se das suas proezas. Foi um temível soldado, um grande decapitador e considerava os prisioneiros uma carga, apoiando o seu extermínio. Um ano mais tarde, Charles Smith havia sido vítima da causa. Ficou inválido para dar testemunho da crueldade humana. Sem duas pernas e sem um braço e uma orelha e com o rosto deformado, continuou vivo para testemunhar. Quando saiu do hospital de campanha, dirigiu-se a uma cabine telefónica e ligou à mãe. Ao escutar a sua voz, esta exclamou:
– Querido filho!… Nunca mais me telefonaste. Ainda bem que estás vivo, graças ao Céu. Quando regressas a casa? Estou ansiosa de te e abraçar!…

Charles Smith escutou-a e disse:
– Mamã!… Amo-te muito. Tenho muitas saudades tuas. Hoje vou para casa, mas quero saber se posso levar comigo o meu melhor amigo que durante a guerra ficou completamente mutilado. Ele necessita de apoio e está numa cadeira de rodas. Tenho que o ajudar, porque ele também fez o mesmo comigo.

Imediatamente a mãe respondeu:
– Nem penses nisso, querido filho!… O Governo que tome conta dele.
Charles, em seguida, deixou o telefone cair.
– Filho!… Filho!… Estás a ouvir-me? Vem já para casa, que te preparo aquele bolo de que tanto gostas!…
Charles abandonou a cabine e suicidou-se em seguida, atirando-se de uma ponte. O sentimento nacional em causa? A causa e efeito, numa combinação aparentemente modesta mas perfeita perante o triunfalismo e o sentimento ferido e a crueldade da guerra. Uma necessidade de afeto e de valentia para estar só, para escapar ao sofrimento e ao abandono. O perigo do nacionalismo e dos grupos patrocinadores.

“Amamos mais o nosso pai ou o nosso avô? O avô ama mais os seus netos ou os seus filhos? Os filhos amam mais os seus filhos ou os seus pais? Sei apenas que o avô sentia-se duas vezes pai!… Sei apenas que em cada amar existem diferenças que se assemelham e nada mais!…”

O vírus epidémico da guerra gera delírios e, por sequência, cicatrizes profundas. Este vírus aparentemente moribundo não está exterminado. Continua vivo e, de um momento para o outro, voltará a causar novas crises e cicatrizes que demarcarão gerações. É a discriminação e o ódio que se alimentam da ruminação mental.

A guerra como instrumento de política só atrai o tráfico de armas, de mulheres, de crianças, de órgãos, gerando riqueza e poder a uns quantos. O homem nunca conheceu o livre-arbítrio e desde sempre esteve submetido a sistemas políticos e religiosos. O poder e o progresso representavam a propriedade exclusiva de uns quantos, que geravam mentores, cujo propósito era e é o de produzir uma consciência de massas, sendo este efeito a submissão das populações, mantida sob um pensamento que produzia e produz uma histeria coletiva, como ocorre ainda hoje as perseguições políticas e religiosas. Esta ação visa manter o poder absoluto, a fim de facilitar e manter interesses e crenças individuais. Mas graças à evolução e exigência do ser humano e devido ao incremento da desigualdade abismal e ao excesso de condições comuns de sofrimento e miséria cultural e material, é-nos facultado o direito à autodeterminação com o propósito de decidirmos os nossos destinos que visem à evolução individual como coletivo, através de sistemas multipartidários democráticos e abertos a todos os pensamentos.

Todos sabemos que o elevado índice de pobreza e miséria no mundo são fruto, acima de tudo, desses sistemas políticos e religiosos, cujas ideologias fatais se apoderaram das nossas faculdades e consciências, privando-nos das liberdades e do saber, assim como do usufruto dos mesmos. Ainda hoje podemos encontrar nas nossas praças demagogos que reclamam a sua influência e poder. O conflito nos Balcãs é apenas mais um, num mundo convulsionado e caracterizado por políticas e religiões atreladas a crenças e que reivindicam direitos e poderes sem importar o sofrimento e as feridas que nunca mais parecem sarar. As diferenças socioculturais não representam na totalidade a origem dos problemas, mas estão associados ao fanatismo religioso e à carência de uma formação pluralista a nível político e religioso que faz mover sentimentos impostos e adquiridos.

Assim, de forma simplicista, espero contribuir com um mundo melhor e mais humanizado, cujo pensamento e ação sejam de uma consciência democrática e universal.

Resumo

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